sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Momento


No recém adquirido "Maysa, só numa multidão de amores", encontro um poema que reflete meu momento e meu receio de futuro:

"Eu estava com medo
Olhava o mundo com grande terror

Agora estou alegre, estou contente,
Giro pelo mundo vendo gente
Mas essa gente me faz feliz.

É o sinal do tempo para que eu não esqueça
Que isso é só uma trégua
Da dor que eu já conheço.

E na volta da dor a mim, depois
da paz deslumbrada
Por fim me fará louca
Espantosamente louca
E pedra atirarei pelos caminhos
Por onde terei que arrastar meu corpo
Para que me machuquem antes de que outras.

As mais duras
Abram minha cabeça
E descubram minha inocência."
Maysa
no livro de Lira Neto, Editora Globo, 2007

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Carta a Alejandro ...


Gómez Arias, em setembro de 1926:


"Por que você estuda tanto? Que segredo está procurando? A vida logo o revelará a você. Por mim, já sei tudo, sem ler nem escrever. Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminando a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria."


Frida Kahlo

Cartas Apaixonadas de Frida Kahlo, José Olympio Editora, 1997

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

No Amor & Na Guerra

"A strange game. The only winning move is not to play."

"Um jogo estranho. A única jogada vencedora é não jogar."

Alguns relacionamentos são exatamente assim...

do filme War Games / Jogos de Guerra, 1983, no tempo que John Badham e Matthew Broderick faziam bons filmes.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Feitos um Para o Outro


"- Pensei muito e o fato é que eu te amo.
- O quê?
- Eu te amo.
- Como espera que eu reaja à isso?
- Que tal 'Também te amo'?
- Que tal 'Vou embora'?
- O que eu disse não significa nada?
- Sinto muito, Harry. Sei que é véspera de Ano Novo. Sei que se sente só, mas não pode chegar aqui, dizer que me ama e esperar que fique tudo bem. Não é desta maneira que funciona.
- E como funciona?
- Não sei. Mas não desta maneira.
- Que tal assim? Eu amo quando sente frio quando faz 22 graus. Eu amo quando leva uma hora e meia para pedir um sanduíche. Eu amo quando enruga a testa, quando acha que sou maluco. Eu amo quando, após passar o dia com você, eu ainda possa sentir seu perfume em minha roupa. E eu amo que você seja a ultima pessoa com quem eu quero falar antes de dormir. E não é porque me sinto só, nem porque é Ano Novo. Vim aqui hoje à noite porque quando você percebe que quer passar o resto de sua vida com alguém, você quer que o resto de sua vida comece o mais rápido possível."


Harry & Sally - Feitos um para o outro (When Harry met Sally) Rob Reiner, 1989 - roteiro de Nora EphronJustificar

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Quase um segundo

"Eu queria ver no escuro do mundo
Onde está tudo o que você quer
Pra me transformar no que te agrada
No que me faça ver
Quais são as cores e as coisas
Pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?
Às vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
Que não me deixa em paz
Quais são as cores e as coisas
Pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?
Às vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
Que não me deixa em paz
Quais são as cores e as coisas
Pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?"

Paralamas do Sucesso, no disco BORA BORA

domingo, 14 de dezembro de 2008

De Amor e De Sombra


Outro livro que virou filme. Já li alguns da chilena Isabel Allende, e esse tem uma das minha passagens prediletas, quando Francisco leva Irene para casa:
"(...) ao contemplá-la junto ao muro de pedra de sua casa, com os braços carregados de flores silvestres para seus velhos e o cabelo revolto pela viagem na moto, intuiu que essa criatura não fora feita para as realidades sórdidas. Beijou-a na face o mais próximo possível da boca, desejando com paixão permanecer ao seu lado eternamente para protegê-la das sombras. Cheirava a ervas e tinha a pela fria. Soube que amá-la era seu destino inexorável."
Isabel Allende, "De Amor e de Sombra", Bertrand Brasil, 15ª Edição, 2005.

sábado, 6 de dezembro de 2008

As Virgens Suicidas

A editora L&PM reeditou, dentro da ótima "Pocket", o maravilhoso "As Virgens Suicidas", de Jeffrey Eugenides. Publicado originalmente pela Rocco em 1994 ou 1995, com o titulo "Virgens Suicidas", o livro estava fora de catálogo já faz um bom tempo. Agora reaparece e com R$ 13,00 você pode adquirir 206 páginas de pura "prosa poética".

"-Alguém tem bala de hortelã ou chiclete? - perguntou Bonnie. Ninguém tinha, e ela virou-se para Joe Hill Conley. Examinou-o por um instante, depois, com os dedos, mudou o repartido do cabelo dele para o lado esquerdo. - Assim fica melhor. - disse. Quase duas décadas depois, o pouco cabelo que lhe resta continua repartido pela mão invisível de Bonnie."

As Virgens Suicidas, Jeffrey Eugenides, L&PM Pocket, 2008

PS: leia o livro e veja o filme, dirigido por Sofia Coppola em 2000.